• Luiz Fraga

Quando tudo começou...

Atualizado: 15 de Jul de 2019



Em 1972, quando eu tinha 14 anos, meu pai (engenheiro politécnico que a vida e o estudo auto-didata formou) comprou seu primeiro LAND ROVER. O motivo da compra –ou desculpa – foi a aquisição de um sítio em Parelheiros, com criação de vacas e cavalos. Esse era o sonho de meu pai (o Land e também o sítio).

Vim a saber depois – quando me aprofundei nos estudos da marca – que era um Série I 1955, reformado e adquirido do proprietário da Faróis Carello, depois de muita insistência.

Uma vez, em 1973 aconteceu que, como sempre, deveríamos levar ração para os animais. A região era desprovida de recursos na época, sem telefone e energia elétrica. Eles estavam famintos, pois uma enchente muito grande não permitia a passagem de veículos por um rio da redondeza.

Quando chegamos ao rio, com 700 kg de ração, a frente do Land apontando para o céu, diversos ônibus e caminhões esperavam para passar. Neste momento, falei ao meu pai: “vamos voltar, não teremos condição de passar.” A correnteza estava muito forte e nem víamos a mureta da ponte, que estava submersa.

Meu pai então desligou o motor, pegou uma chave e retirou a correia do ventilador. Com um saco de abastecimento de combustível, improvisou um protetor para o distribuidor (obviamente o Land era gasolina) e as velas de ignição. Engrenou primeira reduzida, deu carona a diversos pais de família que voltavam do trabalho (nos ônibus) e, sob aplausos, passou pelo rio, água pela cintura de quem estava dentro. Eu tive uma sensação de que o rio iria nos tragar, mas era imprescindível a passagem, a vida da criação no sítio dependia disso. Na volta, repetida a façanha, só que, sem a carga, pudemos levar mais gente para o outro lado.


1º Land Rover do Luiz Fraga

Depois deste Land vieram mais 6. Até que, um belo dia, em 1974, ele chegou em casa e me passou as chaves originais de mais um Série I (1956) que ele havia comprado para mim. Ele me disse que estava me dando um carro 2 anos mais velho que eu!

Com 16 anos, eu estava radiante de ter um Land, e ainda mais com história. Eu era o terceiro dono, isso mesmo! O Land havia sido importado pelo Jóquei Clube com mais outros 20 para uma frota de combate à uma doença, o meu era o utilizado pelo mecânico chefe.

Quando a doença se erradicou, o Jóquei Clube vendeu os Landies e o “meu” ficara com o mecânico, era o carro da manutenção. Reformamos completamente o “bicho” e eu comecei a fazer trilhas, inicialmente em locais próximos de casa (afinal, eu não tinha habilitação e nem idade para tal) no Clube Hípico de Santo Amaro. Quantas vezes não atolei, na terraplanagem do que viria a ser o campo de Polo.

Com a habilitação tirada, preparamos uma “grande expedição”, uma viagem longa, fomos a Ubatuba. O Série I (vim a saber depois, um raro 88” - 1956) rebocando um trailer pesado, mas o bicho chegou lá e depois voltou, sem problemas mecânicos maiores (exceto uma troca de embreagem que eu mesmo fiz, por precaução da subida com o trailer).

Em meados de 1978 iniciei, com mais 4 carros, o GRUFOS, um grupo de passeios 4x4 (2 Willys, 1 Gurgel e meu Série 1) cujo sonho era descer a serra “por fora” da estrada normal, um desejo infelizmente não realizado. Logo depois me inscrevi no JEEP CLUBE e fiz alguns passeios com meu Série 1.

Viagem ao RJ com o 1º Land Rover

E assim diversas outras viagens se seguiram, porém pequenas, pois a velocidade máxima de um Série I é de 80 km/h. Uma vez fomos a Cabo Frio para filmar um comercial. Eu e minha esposa, grávida de meu filho do meio, levamos 14 horas de São Paulo até lá sem paradas. Chegamos, sem falhas mecânicas.


Meu Land me acompanhou diariamente em meu curso de Engenharia Mecânica Veicular (na FEI) durante os longos 5,5 anos em que estudei lá. Eu praticamente acampava nele, fazia comida (longas horas de espera e estudo), às vezes dormia e estudava dentro dele. Quando me formei e fui pegar meu CREA, lá estava ele. Desta vez, eu não resisti e entrei com ele nos corredores da FEI, foi muito divertido, uma correria!

Depois de formado, com filhos e muito trabalho, dei uma parada. Tenho certeza que ele sentiu tanto quanto eu um certo afastamento.

Mas de repente, a conexão voltou, não com este mesmo Série I, mas com a marca. Fui convidado a fazer parte da primeira concessionária Land Rover em São Paulo. Em novembro de 1992, ela estava inaugurada, e em março de 1995, a minha participação terminava.

Neste ano, percebi que não poderia viver sem um Land, seja o que eu estivesse fazendo para viver (nesta época eu estava como consultor independente em engenharia, automação industrial e informática). E então, reativei o Série I e, como minha esposa tinha um outro carro, conseguimos conciliar as viagens (com as crianças pequenas, viajávamos todos os finais de semana para visitar meus pais) e o trabalho aqui em São Paulo.

A vontade de viajar de Land continuou crescendo. E então eu adquiri um Série III (1973), recém reformado. Para pagar, fui obrigado a me desfazer de meu amado Série I e ainda colocar mais “algum” trocado.

Luiz em seu Série III

O Série III me possibilitou viajar bastante (era equipado com “overdrive” um dispositivo que deixa a relação mais longa, permitindo até 110 km/h de velocidade final, desde que não em subidas).

Nessas viagens, o Série III me “deixou na mão” em diversas ocasiões, mas sempre em uma parte que não era dele. Isso mesmo, meu Série III tinha motor de OPALA, 4 cilindros a gasolina, que vivia me dando trabalho.

E assim ao longo dos anos, a paixão pela marca não só se manteve como virou uma oportunidade de negócio. Em 1998, abri a The Specialist, uma oficina especializada em Land Rover que, neste ano, completa 20 anos. Foi um grande sonho que consegui realizar.

Com a The Specialist já inaugurada, fui adquirindo mais conhecimento e também garimpando muito em busca de um novo motor para o meu Série III. E deu certo! Comprei um motor a diesel, em uma versão anterior ao 200 Tdi (sem injeção direta e sem turbo) mas que casou como uma luva.

Oficina The Specialist em 2000

Daí em diante, fomos ao Uruguai (eu e meu filho do meio, o Land Maníaco), depois novamente ao Sul. Foram diversas viagens curtas, muitas trilhas. Agora meu Série III está em ponto de bala!

Em 2000, compramos uma Discovery, que “deu trabalho” em nossa primeira viagem (encontro nacional Land Rover em Tiradentes). O defeito era grave, mas mesmo assim, a Discovery me levou até o Hotel, e foi consertada por mim mesmo lá em Tiradentes.

Ainda com a Discovery e o Serie III, adquiri um Defender 110 200 Tdi (eu o havia vendido na concessionária e o recomprei), depois o vendi e comprei um Defender 110 CSW 2005 (um dos últimos nacionais) que continua conosco até hoje. Logo depois, compramos um Freelander II 2008 que é nosso carro do dia a dia, inclusive meu filho Felipe tem um e minha filha também tem um.

Um belo dia, na oficina, me ofereceram uma Discovery III TDV6 com perto de 100.000 km cujo motor havia fundido (excesso de falta de manutenção). E então, eu a comprei e também comprei um motor 0KM e já rodei mais de 50.000 km com ela. Foi um carro importante para mim para que eu aprendesse a operar a parte eletrônica dos veículos mais modernos (chamamos de NEW GENERATION).


Land Rovers da família Fraga

Em 2001, para nos adaptarmos à frota de New Generation, a The Specialist adquiriu seu primeiro scanner (AUTOLOGIC). Fiz diversos cursos de aperfeiçoamento na parte eletrônica (em média uma vez a cada 2 anos) para aprender a usar o AUTOLOGIC. Em 2008, compramos um modelo mais moderno que usamos até hoje, claro que com os “upgrades” necessários. Este também foi o ano em que iniciei o programa de Mestrado em Engenharia Automotiva (na USP – Politécnica), minha dissertação foi sobre a bomba de água do Defender, me graduei em 2010. Em uma das viagens que fiz para a Inglaterra, adquirimos um novo sistema de diagnóstico, apesar de ainda mantermos o AUTOLOGIC.

Hoje, a oficina The Specialist é conhecida por ser uma “solucionadora de problemas” dos mais simples aos mais complexos, sendo uma das poucas oficinas nacionais “mono marca”, só atendemos Land Rovers!

Meu filho Felipe trabalha comigo desde 2012 e cuida da parte operacional e técnica da empresa.

Nunca, desde 1972, um Land Rover me deixou sem condição de prosseguir viagem e voltar seguro para casa ou ir até algum local onde possa ser consertado. Sempre vemos um recurso, um “jeito” para que possamos regressar. Mesmo quando estamos em comboio, nenhum Land deixa seu motorista em situação precária, só em local seguro e certo... esta é a lenda que contam na África acerca dos Land Rovers, e que funciona pelo mundo inteiro, agora e há muito tempo.

Tetos caídos, vidros barulhentos, correias chiando (mas funcionando), pinga pinga de água (ou óleo) dentro ou fora do carro, portas mal vedadas, estepes caindo, isso e mais diversos problemas são verdadeiros e realmente incomodam muito aos que pagam diversos $$ pelo sonho. Mas não se enganem, um LAND ROVER é muito mais que um veículo, é um amontoado de amigos, montes de lindas fotos, contato estreito com a natureza, algum tempo a mais com a família (quando eles compartilham e gostam da loucura). Consertos e instalações que você achou que não seria capaz de fazer e fez, adrenalina... e você nem precisou pagar por isso, mesmo que você não faça trilha, o sentimento de poder fazer é o suficiente para você, é a marca, a lenda e sua mágica atuando dentro de você...

Por isso eu tenho um LAND ROVER e acredito neles! E, dependendo de meus filhos, a história e a lenda continuarão vivas...

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