|
|
Amortecedor
O amortecedor
Grandes responsáveis pelo conforto que hoje nos serve, os amortecedores são, como o próprio nome diz, “suavizadores” das molas.
Se não houvesse amortecedores, as molas ficariam oscilando para sempre, o que é extremamente indesejado nas suspensões modernas.
O amortecedor é um dispositivo que “rouba” uma parte da energia concedida às molas, fazendo com que elas parem de oscilar mais rapidamente.
Nas molas semi-elípitcas (grande parte dos 4x4 e também das pick ups 4x4 as possui ainda hoje) uma parte do movimento das molas logo é absorvida por elas mesmas e dissipada em forma de calor, o atrito entre as lâminas é o grande responsável por isso, fazendo com que os amortecedores trabalhem menos.
Nas molas do tipo helicoidal, onde o atrito ao movimento é praticamente nulo, fazer com que elas parem de oscilar é trabalho exclusivo dos amortecedores.
Controlar o movimento das molas em um veículo sem o uso de amortecedores irá diminuir em muito o conforto dos passageiros, pelo simples fato de que as molas deverão ser muito “duras” para que o veículo possa oscilar pouco.
História.
Criado logo depois da invenção do automóvel, o amortecedor antigo era feito de um sistema de molas e discos (normalmente feitos se intercalando discos em aço e em couro) que geravam atrito e, com isso modificavam a energia cinética do movimento das molas em energia térmica, aquecendo o amortecedor, desgastando os discos e, consequentemente, diminuindo a velocidade do movimento das molas, chamados de “amortecedores de fricção seca”.
Logo depois (perto da década de 40) vieram os amortecedores hidráulicos (fricção fluída) que são feitos de um tubo de aço com um lado cheio de óleo hidráulico (com propriedades anti-espumantes) e o outro cheio de ar (ou gás no caso dos amortecedores pressurizados), e um êmbolo (ou pistao).
O movimento do êmbolo (que é conectado ao lado chamado “massa suspensa”) para cima e para baixo forçará o óleo a circular por um orifício (que pode ser de diversos tamanhos ou até mesmo regulável num mesmo amortecedor), isso causará um atraso no movimento da mola, fazendo com que ela se encolha ou se estique com uma velocidade menor àquela em que não existisse o amortecedor, melhorando a relação entre a massa suspensa (toda a parte do veículo que se encontra sustentada pelas molas – chassis, carroceria, etc...) e a massa não suspensa (parte do veículo que sustenta as molas – diferenciais, freio, cubos de roda, aros, pneus, etc...).
Quanto maior for a massa não suspensa, mais difícil é o controle do veículo e mais forçado será o amortecedor.
Isto explica em parte porque a grande maioria dos veículos de competição da atualidade usa suspensão independente ao invés dos pesados eixos rígidos (muito difíceis de controlar em velocidades altas).
Um estágio ou duplo estágio.
Com o passar do tempo, os amortecedores foram ficando mais sofisticados, nos modelos mais antigos, o amortecimento era somente quando as molas eram “encolhidas” pela massa não suspensa, atualmente os amortecedores em geral tem duplo estágio, isto é, eles “atrasam” o trabalho da mola tanto no “encolhimento” dela quanto no seu “estiramento” possibilitando ao piloto um maior controle e aos ocupantes, mais conforto.
Aquecimento
Quando um amortecedor é muito exigido, o óleo dentro dele aquece muito e pode entrar em ebulição.
A ebulição (fervura) gera gases que tomam o lugar do líquido, favorecendo a passagem do mesmo pelo orifício e diminuindo ou quase anulando o efeito de amortecimento, a única alternativa para este problema é parar e esperar o amortecedor esfriar. Na grande maioria das vezes, os vedadores do êmbolo podem ser danificados quando há um aquecimento excessivo nos amortecedores.
Em veículos de competição, se utilizam sistemas pressurizados (normalmente a câmara superior do amortecedor é preenchida com gás nitrogênio) que, devido à pressão, aumentam a temperatura em que o óleo entra em ebulição, ajudando no amortecimento, tendo ainda a vantagem adicional de criar uma espécie de mola pneumática adicional no sistema, é devido a isso que, quando instalamos em nossos carros amortecedores a gás, sentimos o veículo mais “duro”.
Diversos sistemas de amortecedores para competição tem ainda um conjunto de garrafas externas adicionais que servem como verdadeiros reservatórios de óleo e gás frios, se prestando também a aumentar a gama de regulagens que um amortecedor pode ter, ajudando o piloto a melhor adaptar o veículo à pista.
Buchas
Extremamente importantes para o correto funcionamento dos amortecedores, servem de ligação entre os amortecedores e os suportes, devendo ser verificadas sempre que se for fazer uma manutenção preventiva.
Buchas desgastadas aumentam o percurso onde o amortecedor não funciona, dando a nítida impressão de que os mesmos estão gastos, uma bucha mal instalada ou mesmo uma que não segue as características das buchas originais do carro, podem danificar ou até mesmo quebrar os suportes do amortecedor.
Ao reapertar as buchas, cheque para ver se as mesmas não trincam logo depois do reaperto, é muito comum, ao reapertar as buchas, estas se romperem poucos kilometros depois.
Ao trocar as buchas, rode um pouco com o veículo (cerca de 1.500~2.000km) e reaperte-as, as buchas novas sempre terão uma deformação permanente, folgando depois de algo perto desta kilometragem, este reaperto inicial irá prolongar a vida útil das mesmas.
Elevando a suspensão
Obviamente, se um sistema de suspensão for alterado, elevando ou rebaixando o veículo, os amortecedores deverão, obrigatoriamente, ter seus cursos alterados.
As grandezas inerentes à parte dimensional de um amortecedor são o comprimento aberto e o comprimento fechado, se o curso de uma mola for maior que o comprimento aberto de um amortecedor, a suspensão será limitada pelo curso do amortecedor podendo, em casos extremos, causar a quebra do mesmo.
Se o curso aberto do amortecedor for maior que o curso total de uma mola helicoidal (por exemplo) e se não houver batente superior, certamente, em uma condição de fora de estrada, a mola poderá sair de seu suporte, podendo causar danos ou acidentes no veículo.
Quando trocar os amortecedores?
Um dos maiores problemas em se detectar se um amortecedor ainda está com vida útil razoável é que nós nos acostumamos com o sistema, isto é, o rendimento dos amortecedores cai em um nível muito baixo, cada kilometro rodado, cada buraco, cada oscilação, cada trilha, diminui a ação do amortecedor muito pouco, avalie com um profissional do ramo o estado dos amortecedores, vazamentos externos também exigem a troca imediata do amortecedor (recomenda-se trocar sempre o conjunto inteiro).
Depois da troca, certamente o motorista irá notar a diferença, pois a mudança é grande, entre um amortecedor “quase novo” para um novo.
Até a próxima e boas trilhas
|